sexta-feira, 12 de outubro de 2012

DESDE A INFANCIA CROSS

O crossdressing (ou travestismo, no Português Europeu, e frequentemente abreviado para "CD"), não está relacionado com a orientação sexual, e um crossdresser pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou assexual. O crossdressing também não está relacionado com a transexualidade. Os crossdressers tipicamente não modificam o seu corpo, através da terapia hormonal ou cirurgias, mas tal acontece nalguns casos, como o de Stu Rasmussen, político americano e presidente da câmara municipal da cidade de Oregon. As pessoas que praticam o crossdressing podem também ter qualquer profissão ou ocupar qualquer nível sócio-económico, tal como, aliás, qualquer uma das diversas identidades que tipicamente compõem a sigla LGBT. Os transformistas fazem parte da população crossdresser, mas a sua motivação está relacionada apenas com motivos profissionais, como espectáculos de transformismo. A expressão "drag-queen" (de DRAG, "Dressed As a Girl"), em inglês, é equivalente a transformista, mas quando utilizada no português, por vezes refere-se aos crossdressers com um visual mais exageradamente feminino.
Entre todas as diversidades de transgêneros, podemos afirmar que as crossdressers constituem um dos grupos de maior complexidade. Geralmente confundidas com as travestis ou com as drag queens, em virtude do fator comum que é o uso de roupas femininas, as CD's, entretanto e apesar de todas as afinidades, possuem características próprias e intransferíveis, relacionadas diretamente com o trânsito possível entre os universos masculino e feminino. Criar artificialmente uma definição geral e fechada, capaz de responder à pergunta que dá título a este discurso, seria - a meu ver - apenas instituir mais um rótulo limitado e, por isso mesmo, incapaz de englobar todas as variáveis possíveis e divergentes. Por um lado, isso não significa exatamente que estejamos abordando um comportamento e uma realidade tão inacessíveis ao ponto de podermos afirmar a impossibilidade de uma delimitação conceitual; mas por outro, significa que essa delimitação é muito mais ampla e abrangente do que simplesmente declarar, por exemplo, que CROSSDRESSER é um homem que esporadicamente e por motivos relacionados com a sua libido ou com as suas pulsões sexuais, cultiva o hábito de usar roupas femininas.
Ao realizarmos esse mergulho, descobrimos que o primeiro fato recorrente e universal, comum a todas as CD's, é o de que as primeiras manifestações do crossdressing sempre acontecem bem cedo, geralmente entre os quatro e seis anos de idade ou, mais tardiamente, até no máximo a idade de dez ou onze anos e - portanto - sempre muito antes das primeiras manifestações e descobertas da sexualidade. Este talvez seja o primeiro dado importante que podemos utilizar para iniciar as nossas conclusões, pois determina a INEXISTÊNCIA de um vínculo absoluto entre a personalidade de uma crossdresser e as suas eventuais opções de sexualidade (o que é facilmente comprovado através da simples observação de que podemos encontrar CD's heterossexuais, CD's homossexuais, CD's bissexuais, etc.) e nos leva a afirmar que descobrimos a nossa identidade de gênero feminino sempre muito antes de conseguirmos perceber as diferenças sexuais existentes entre homens e mulheres. Evidentemente é exatamente esse fato que determina a inviabilidade das interpretações psicológicas, apoiadas nas argumentações sexuais, e que procuram demonstrar que o crossdressing tenha o homossexualismo como base fundamental, mesmo que isso possa ser verdadeiro em alguns casos isolados e específicos, ou seja, as causas não podem ser confundidas com as conseqüências. Um outro aspecto interessante a ser observado, é o de que a idade em que as primeiras manifestações do crossdressing acontecem, corresponde exatamente com a fase em que estamos começando a ter um contato mais direto com todos os mecanismos da linguagem, inclusive aprendendo a ler e a escrever, e aprendendo a interpretar os signos que utilizamos para representar o meio-ambiente social no qual vivemos. E é este, o segundo dado importante que podemos utilizar na busca da nossa resposta e que me leva a sugerir que, muito provavelmente, a Filosofia e a Semiótica (através de algumas das suas subdivisões, como a Teoria dos Signos e a Teoria da Linguagem) sejam - a meu ver - os aparelhos teóricos mais indicados e eficientes que podemos utilizar para analisar a nossa própria condição de CD's e encontrar uma resposta abrangente, que sirva para todas nós, mesmo que sejamos heterossexuais, homossexuais, bissexuais, ou mesmo que sejamos fetichistas, voyeristas, mulheres bem-comportadas ou pervertidas em nossas opções de sexualidade.
http://www.bccclub.com.br/teste/index.php?content=28 Por VeroniKa Schneider em janeiro de 2003

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